domingo, 14 de agosto de 2011

Unnamed Story 2

Continuação da parte anterior:

Ele era inteligente e criativo. Sempre que eu não entendia a matéria da escola nós íamos até a beira do rio e ele me explicava com a primeira coisa que via na frente. Aprendi história com uma maça caída, geometria com um galho e inglês com uma pedra. Em pagamento, eu fazia todas as lições de casa dele, pois era um pouco preguiçoso para fazer ele mesmo.

Na adolescência ele era o garoto mais popular da turma e os clichês da vida me deixaram o papel de melhor amiga estranha e desengonçada. Houve momentos que eu achei que iria perdê-lo para a namorada “A” ou a namorada “B”, mas ele nunca me deixou na mão. Fazia questão de me acompanhar até a escola e de me trazer de volta sã e salva. Isso não queria dizer que eu ficava a salvo de suas piadinhas sobre o jeito como eu sempre amarrava meu cachos em uma fita rosa ou como eu sempre usava o mesmo suéter verde no dia de Ação de Graças.

Após nos formarmos na High School, eu mudei meu visual. A garota estranha e desengonçada deu lugar a uma jovem de pernas longas e cabelos castanhos brilhantes e macios. Comecei a ser mais vaidosa e os garotos da cidade perceberam, inclusive James. De repente, eu era a sensação do momento, a fruta da estação. Tudo era muito estranho para mim e eu não gostava da competição que me cercava. Porque o único que me interessava era ele. Mas ele nunca me dava brecha, me tratava como se eu fosse a irmã mais nova dele e isso despertava minha raiva.

Nosso romance só começou há dois anos, após o baile do Dia da Independência. Ele me avisou que iria me pegar às oito e, nesta hora, eu estava pronta, esperando por ele. Ele chegou com meia hora de atraso, com um sorriso que me fez perdoá-lo num instante. Eu tinha me arrumado por uma hora e ele não fez nenhum comentário sobre minha roupa, apenas cumprimentou meu pai e disse que me traria de volta às onze da noite.

O campo de baseball na cidade estava decorado nas cores branca, vermelha e azul. As barracas estava dispostas em semi-círculos e uma banda tocava uma música desconhecida em um palco improvisado. Eu me sentei em uma das mesas perto das barracas e ele sentou do meu lado. Após uns minutos, perguntou se eu estava com sede e foi buscar um copo de ponche. Voltou com dois copos na mão, porém um outro rapaz tinha sentado em seu lugar e tentava me convencer a dançar. Mais do que depressa ele dispensou o rapaz e me puxou para o local onde os casais estavam dançando, colocou uma mão na minha cintura e a outra pegou minha mão. Estávamos dançando. Perguntei o que significava aquilo e ele não disse nada.

Era complicado descobrir o que James estava sentindo; ele nunca dizia, nem para seus melhores amigos. Suas namoradas nunca ouviram um “eu gosto de você” e talvez esse era o motivo que as fazia terminar com ele, derramando lágrimas. Por esse motivo, todas as minhas amigas me aconselhavam a esquecê-lo. E eu nunca dava ouvidos a elas.

Foi com surpresa que ouvi um sussurro no meu ouvido: “Preciso falar contigo” e me levou para um local afastado. Fiquei preocupada, pensei que alguém havia passado mal ou algo assim.

“Rebecca...” começou ele.

“James? O que aconteceu?”

“Não sei te explicar... é... ultimamente eu...”

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