sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Infância - parte 2

Minha infância foi assim.

Eu tinha uma "barbie" que já vinha com nome, Petra. Ela não mexia os joelhos, nem os cotovelos. Minha mãe disse que era alemã, mas como chegou em casa até hoje eu não sei.

E tinha uma Barbie Princesa. Essa eu comprei com a mesadinha de cinco reais que ganhava por semana (incrível como naquela época eu conseguia economizar bem mais do que hoje!). Ela custava 45 reais e era a boneca que eu mais gostava. Ela vinha com um vestido rosa brilhante, um pente e sapatinhos de bailarina. Não dava para tirar o último item, o que poupou meu pais de comprarem aquelas cartelas com roupas e sapatinhos que vendiam na feira. Ela tinha um cabelo longo que, aos poucos, fui cortando. Sabia que cabelo de boneca não crescia, mas não conseguia largar essa mania. Acabou que o cabelo dela ficou beeeem melhor do que o original.

Nunca tive a casa, o carro, o avião, a nave espacial da Barbie, mas tinha imaginação. Quando eu me ajuntava com minha amiga Keni, fazíamos tampinha de refri virar cadeira, almofada virar cama, estojo virar carro... Até um shopping inventamos uma vez! O ruim era que cada vez que montávamos as coisas, quando terminava ouvíamos "Fulana, hora de ir embora!". Era frustrante!

Cada vez que eu ia na casa da minha avó (o que acontecia a cada final de ano), eu pegava vários retalhos, uma vez que ela era costureira. Retalhos de várias cores e estampas. E com isso fazia as roupas das bonecas. Chamava minhas primas, pegávamos tesoura, agulha e linha e fazíamos modelitos "fashion". Rolava até um desfile. E enquanto ela era movimentada pela passarela imaginária, um "tut's tut's" saía da nossa boca. Ao final da brincadeira, guardávamos em uma caixa.

Brinquei de boneca (aquelas grandonas, de dar mamadeira) até os 10 e de Barbie até os 14. Hoje não vejo mais as meninas brincando de boneca. Elas preferem maquiagem, falar de garotos e ter perfis em todos as redes sociais.

E as Barbies e carrinhos vão sendo silenciosamente sendo substituídos...

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Dica de Seriado: New Girl

Olá leitores!


A dica de hoje é sobre um seriado que estreiou no Fall Season chamado "New Girl" e que já conquistou meu interesse. O seriado conta a história de Jess, uma garota que, após descobrir que foi traída pelo namorado, acaba indo morar em um apartamento com três homens: Coach, Schmidt e Nick.


A sinopse não convence muito, o que convence é a interpretação extraordinária de Zooey Deschanel. Eu não era convencida do "auê" que faziam em torno da atriz até eu ver a capacidade dela de tornar a personagem o mais interessante possível. Com caretas e dancinhas estranhas, Jess não se leva a sério e isso dá a leveza e a graça da série.


Palmas também para o resto do elenco que trazem uma interpretação realista à serie. Não há sinal de falas decoradas, nem tons forçados para ser engraçado, é encantador por si só. A única decepção é que após 20 minutos o episódio acaba!


Desafio você a não se sentir emocionado com a versão adaptada de "I Had The Time Of My Life", do filme Dirty Dancing, cantada pelo trio de moçoilos num restaurante.


Até a próxima!


quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Happy Birthday Mommy!

Hoje é aniversário de alguém SUPER HIPER MEGA especial...

O nome dela é Dilza e ela é a mulher mais forte que eu conheço!
Me carregou por nove meses na barriga, me criou, passou noites acordadas quando eu ficava doente e nunca reclamou.
Teve, por duas vezes, a notícia que a criança que ela acabara de ter não era igual aos outros, tinha uma doença desconhecida. Ela foi bater na porta de cada médico neste planeta para ter uma explicação e, no final, não conseguiu nenhuma... Não há registros de quantas vezes ela levou e buscou minhas irmãs na fisioterapia/terapia ocupacional/psicoterapeuta/psicóloga.
Passou pela tristeza de ver uma de suas filhas sendo internada muito mal na UTI.
Deixou de comprar roupa e sapato pra ela por anos pra que nós, suas filhas, pudéssemos ter uma educação de qualidade.
Teve uma loja, que em alta temporada, chegava a ter 15 empregados. Administrava a empresa muitíssimo bem. As pessoas que trabalhavam na loja, quando saíam, eram imediatamente contratadas por outras empresas que sabiam o quão bom era o treinamento que minha mãe dava. Já vendeu de tudo: uniformes escolares, perfumes, calçados, roupas infantis, livros didáticos e paradidáticos, sorvete e até materiais de papelaria (kits para volta as aulas).
Aguentou sua filha mais velha (eu) na fase pré-adolescente gritando com ela a cada dois dias por falta de atenção, enquanto ela tinha dar cuidado integral para as duas mais novas que precisavam bem mais...
Esperou por quinze anos para ter a casa dos sonhos dela e, quando tudo ficou pronto, passou um ano e teve que deixar tudo para se mudar para outra cidade.
Odeia frio, mas se mudou pra Curitiba pra acompanhar a filha (eu novamente) no sonho de fazer faculdade na Federal.
Resolveu ser concurseira e tem tal determinação pra isso.
Tem 45 anos com carinha de 36.
A melhor companheira de viagem, sempre ficava me empurrando pra eu fazer as coisas, mesmo com minhas reclamações.
É inteligente, humilde e amorosa.
Extremamente linda, bem branquinha e cabelos castanhos ondulados e corpão.

Mãe,
Não é a primeira vez e nem a última, infelizmente, que a gente vai brigar... Porque as vezes eu não concordo com o que você diz ou estou com preguiça de admitir que você está certa... Mas eu te amo muito e se um dia eu conseguir ser metade do que você é, já estarei feliz!

Outra vez, feliz aniversário!!

(Minha mamãe linda que eu estou com saudades!)

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Infância - Parte 1

Minha infância foi assim.

Teve a moda do elástico, toda garota (e algumas vezes, garotos) tinham um. Quem não tinha dinheiro pra comprar um - é gente, eram dias difíceis aqueles - ficava na esperança que a amiga chamasse pra brincar. Era mais legal brincar com mais de duas pessoas, mas quem nunca colocou o tal elástico nos pés de duas cadeiras e brincou sozinho? A brincadeira tinha vários níveis de dificuldades baseados na altura que o elástico era ajustado nas pessoas/cadeiras. A parte engraçada é que nos últimos níveis a "dancinha" era feita apenas com a cabeça, mas tinha quem se aventurasse a pular super alto pra conseguir mais moral.

Depois veio a mania do tamagotchi, e era bichinho virtual pra todo lado. Novamente, toda criança descolada tinha um. Você tinha que encontrar um clip-de-papel, entorta-lo e enfiar no buraquinho pra que o bichinho nascesse. Após uma hora, finalmente o animal nascia. E você dava comida, carinho, higiene e brincava com ele por meia hora, depois disso era frustrante como ele não aceitava nada e o interesse ia diminuindo. O pior é que ele resolvia dormir na hora errada e ficava acordado, precisando de mil coisas bem no meio da noite. Servia para nos treinar para o emprego de pais. E depois de dois dias ele morria. Até o próximo esforço com o clip.


Mais uma mania da criançada da minha época: tazzo. Eram uns cards que vinham dentro dos pacotes de salgadinhos. A garotada fazia uma roda, cada um com seus montinhos de fichas. Uma ficha de cada participante era colocado em um monte central. Fazíamos uma concha com a mão, batíamos e aumentávamos nossa propriedade com as fichas que virassem. Curiosidade: Uma vez eu quebrei um relógio raro da minha mãe tentando jogar esse jogo.


Lembro também que maioria das crianças tinha videogame. Naquela época não era muito comum. E era aqueles de fita, que pra funcionar você tinha que tirar a fita do aparelho, soprar, limpar com a barra da camiseta, colocar de novo no aparelho e socar. Aí sim o "troço" funcionava. Eu não tive um, então ia na casa da minha vizinha jogar. A regra era assim: O personagem morria, o controle passava de mãos. E como ela tinha mais prática, eu ficava 5% do tempo e ela o resto. Acabava mais olhando do que jogando.


Teve a febre do patinete, que era divertido nos primeiros cinco minutos e depois disso aqueles movimentos repetitivos ficavam um tédio. Teve a febre da amarelinha, que com uma pedrinha e dez quadrados feitos de giz você chagava no paraíso. Teve a febre de pular corda, enquanto quem batia cantava "Um homem bateu em minha porta e eu a-bri, senhoras e senhores, põe a mão no chão..." ou "Com quem? Com quem será? Que a fulana vai se casar? Loiro, moreno, careca, barrigudo, rei ladrão polícia, capitão..." e nós tínhamos que ser espertos para ficar até o final da música. Quem pulava a música inteira era coroado "o rei da cocada preta" em uma coroação silenciosa, onde apenas quem estava jogando sabia.


Minha infância foi tão divertida!! E fico pensando... as crianças de hoje podem ter toda essa diversão em um iPad? Podem ter essa diversão passando o dia inteiro enfurnado dentro de casa? Espero, pelo bem delas, que a resposta para essas perguntas seja sim.


PS. Esse post era pra ter sido terminado pro dia das crianças, mas não consegui... De qualquer forma, aqui está, espero que vocês tenham gostado e tido um momento nostalgia...

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Um rolé por Riverside

Olá leitores!

Um certo sábado, 8 de outubro, eu estava de bobeira no meu quarto, quando pela janela e vi o céu azul limpinho e o sol lindo que fazia na California; decidi que ia sair dar umas voltas... E aqui está as fotos que tirei na minha saída:

(Sierra Vista Avenue)

(Palmeira linda!)

(La Sierra Seventh-Day Adventist Church - Youth Center)

(Frente da igreja)

(I love this place!)

(O melhor sunset que já vi na vida!)

Até a próxima!

Los Angeles

Olá leitores!

Terça-feira, dia 27 de setembro, pleno dia de semana. Fui com a Host Grandma e o kid levar o host dad no aeroporto. Como eu pensava que iríamos apenas levar e voltar, não levei a câmera.
Quem me conhece sabe que eu enjôo loucamente em viagens de carro que passem de meia hora e que, nesses casos, eu não hesito em encostar minha cabeça do jeito mais confortável possível e dormir. E gente, fiquem orgulhosos de mim! Não dormi na ida! Quase, mas não dormi!
Riverside é uma cidade que é rodeada por montanhas e isso dá um certo ar
country. Quando você pega a highway para o LAX (por Corona) você também vê montanhas. De repente, o ar muda! As montanhas ficam para trás e você começa a ver as famosas palmeiras. Tudo foi extremamente emocionante! Ver as letras gigantes do LAX (Los Angeles Internacional Airport) e o restaurante suspenso...

(Não são fotos minhas, peguei no Uncle Google pra ilustrar!)

Deixamos o H. no aeroporto e
back pra casa né?! Claro que não, a fofa da Dona V. (a vozinha) me levou para a praia! E, quando eu vi aquele mar azulzinho e infinito, eu chorei! Não disse que tinha ficado emocionada? Pois eu realmente fiquei! Era muita beleza pra meu pobre coraçãozinho aguentar! Eu que nem sou piraaaada por praia né?! haha Vi o mar em Venice, Marina Del Rey e Palisade.

(Foto tirada no celular da Dona V.)

Passamos pelas mansões de Beverly Hills, pelo portão da cidade de Bel Air, pelos
campi da UCLA... Aí, quando me dei conta, estava vendo o famoséééérrimo encontro da Sunset Boulevard com a Rodeo Drive! Segurei um berro e apenas disse, como pra constatar: "Olha, a Rodeo Dr!". A Dona V perguntou se eu queria andar nela, eu respondi que não precisava e ela não aceitou minha resposta, deu a volta e começou a rodar pela Rodeo.

Essa avenida (na verdade, um certo local por onde ela passa) precisa de um parágrafo inteirinho dedicado: é o encontro da Quinta Avenida de NY com a maresia! Um local cheeeeeio de lojas de grifes com um ar praiano, madames saindo das lojas, e mais palmeiras! Tem até uma ruazinha italiana suuuuper charmosa, que eu juro que voltarei com tempo pra ver direito!
Rodeo Drive (Mais uma foto do Google...)

Cerejinha do sundae: Dona V. me levou pra conhecer Hollywood! Passamos por uns lugares bem legais, vi o Kodak Theatre (na entrada está a propaganda do espetáculo do Cirque Du Soleil, o Iris!), umas guitarras enormes bem legais (não sei onde fica...) e, de longe, a calçada da fama! Tentei ler algum nome, mas não consegui, do carro fica longe pra entender. Mas super valeu a pena! A única coisa que falta é o famoso Hollywood Sign!

Voltamos por Glendale e paramos em uma padaria cubana MARAVILHOSA! Fui um pouco desconfiada, não sabia o que tinha de bom pra pedir... Pedi um sanduíche com potato balls, mas descobri depois que tinha carne dentro das bolinhas. Cancelei e pedi dois croissant de espinafre, um cupcake, um mousse de limão e um suco de laranja. Ó céus! Que suco gostoso! Quanto tempo que não tomava um suco feito na hora! E o resto do meu pedido foi tão bom quanto! Nome da padaria: Porto's. Não deixem de ir e podem pedir qualquer coisa que eu garanto que é bom!

Como não tive o prazer de tirar fotos à vontade com a minha câmera, vou ter que voltar lá, olha que coisa ruim! hahaha

Enquanto isso fiquem com o vídeo que fizeram da minha pessoa, toda feliz e boba porque estava vendo o mar californiano aqui!

Até a próxima!

Aquele famoso homesick

Olá leitores!

Hoje foi um dia complicado... O famoso homesick invadiu meu ser e me derrubou por umas três horas!

Quando eu estava no Brasil várias vezes vi no Facebook de colegas au pairs, mensagens desse tipo: "POR FAVOR, alguém converse comigo, estou muito mal!". Não entendia, pensava que elas estavam de melodrama. Mas é só pisar em solo estrangeiro pra entender como nossas emoções se tornam intensas!

Sempre me dá uns momentos de tristeza, mas hoje era só eu olhar para qualquer objeto/pessoa que eu sentia as lágrimas rolando face abaixo! Senti falta de ser amada e dos abraços de urso dos meus amigos! E da minha mãe! Eu tentava pensar em qualquer outra coisa, mas sabe quando você sente seu coração apertadinho? Pois é...

Colegas au pairs: Agora eu super entendo vocês! Porque tudo o que eu queria naquele momento era alguém pra conversar comigo!

Digo para vocês que não é fácil... Mas se isso faz parte do amadurecimento, então encaro como uma pedrinha no meu caminho, daquelas que a gente só empurra pro lado e continua andando!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Carta aos Adolescentes

"Que é isso tia? Carta? Nunca ouvi falar! É de comer?"

Ok, vamos atualizar o título então:
E-mail aos Adolescentes.

"Ah tia, agora está bom, e-mail eu conheço, mando todo dia pra..."

Olá você que tem de 14 a 17 anos! É para você que escrevo estas palavras. Você que é fã do Justin Bieber, usa aparelho nos dentes, tem espinha e não vê a hora de fazer 18 anos e ter seu próprio apartamento. Eu sei que você vai ler esses conselhos e não vai dar bola. Sim, vocês, adolescentes, são totalmente previsíveis! (Talvez porque eu já tenha passado por essa fase e tenha feito a mesma coisa com quem gente "mais velha e chata" que vinha me dar conselhos.)

Ser maior de idade é o máximo! "Isso eu já sabia!" Mas também é doloroso. Sim, você sente uma dor emocional tão grande que quase se transforma em dor física.

A vida é um looping sem fim. A partir do momento que você faz 18 anos as coisas tendem a mudar rapidamente. Você viveu em uma bolha por toda a sua vida e agora é hora de furar essa bolha e respirar o ar do mundo. É aterrorizante e gostoso ao mesmo tempo. Nem pai nem mãe agora são teus responsáveis, você tem que fazer decisões toda hora, por 'tua conta e risco'.

A vida é repleta de erros e acertos. Como a vida adulta é um grande ponto de interrogação, é muito fácil cometermos erros. Alguns erros você leva a cicatriz pro resto da vida. Mas quando a gente acerta? Ah, que coisa boa!

A vida adquire mais responsabilidades. "Quero sair logo da escola pra passar num vestibular e entrar na faculdade pra nunca mais ter que estudar!" ERRADO! É a partir daí que você começa a estudar ainda mais. Estudar de noite e trabalhar de dia pra pagar os estudos. Com muito suor, consegue alugar um apartamento ou comprar um carro.

A gente dá mais valor aos pais. FATO! Agora que passou a fase da 'aborrecência', vemos que nossos pais podem ser nossos melhores amigos. Podemos partilhar coisas boas, coisas ruins. Até porque eles já passaram pela juventude e tiveram dificuldades e dúvidas semelhantes! E também você percebe que não tem muitos mais tempo com eles, ainda mais se tiverem idade avançada...

'A vida não segue um roteiro' Ouvi essa hoje. E não poderia ser mais verdade. Eu sempre tive vários planos. Fazia plano A, B e C. Caso não desse certo um, tinha ainda uma certa margem de segurança. Isso acabou! Planos agora são feitos em minutos e não tem garantia nenhuma se vai dar certo. É uma roleta russa: Com sorte você sai ileso.

É claro, a partir do momento que você é maior de idade, é liberado para muita coisa: pode tirar carteira de motorista, pode entrar em balada, comprar bebida alcoólicas, seus pais não podem mandar em você (entre outras coisas). Mas isso não quer dizer que está liberado para fazer todos os tipos de burrices conhecidas pela humanidade!

É... A maioridade é complicada. Mas eu não trocaria a minha por nada!


PS. Hoje é um dia muuuito bom por dois motivos. Primeiro: É aniversário da minha irmã mais nova! Êêê! Parabéns Nairoca! Segundo: Faz exatamente um mês que cheguei na Califórnia! Ê, parabéns pra mim! \o/
PS2. Esse post é dedicado às duas pessoas que me ajudaram o possível e o impossível e sempre mantiveram minha auto-estima (importante quando se está sozinha num país que não é o seu!): Meu pai, Sr. Giba, e minha tia, Marcela Bornstein, um doce de pessoa e nova leitora do meu blog!