segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Infância - Parte 1

Minha infância foi assim.

Teve a moda do elástico, toda garota (e algumas vezes, garotos) tinham um. Quem não tinha dinheiro pra comprar um - é gente, eram dias difíceis aqueles - ficava na esperança que a amiga chamasse pra brincar. Era mais legal brincar com mais de duas pessoas, mas quem nunca colocou o tal elástico nos pés de duas cadeiras e brincou sozinho? A brincadeira tinha vários níveis de dificuldades baseados na altura que o elástico era ajustado nas pessoas/cadeiras. A parte engraçada é que nos últimos níveis a "dancinha" era feita apenas com a cabeça, mas tinha quem se aventurasse a pular super alto pra conseguir mais moral.

Depois veio a mania do tamagotchi, e era bichinho virtual pra todo lado. Novamente, toda criança descolada tinha um. Você tinha que encontrar um clip-de-papel, entorta-lo e enfiar no buraquinho pra que o bichinho nascesse. Após uma hora, finalmente o animal nascia. E você dava comida, carinho, higiene e brincava com ele por meia hora, depois disso era frustrante como ele não aceitava nada e o interesse ia diminuindo. O pior é que ele resolvia dormir na hora errada e ficava acordado, precisando de mil coisas bem no meio da noite. Servia para nos treinar para o emprego de pais. E depois de dois dias ele morria. Até o próximo esforço com o clip.


Mais uma mania da criançada da minha época: tazzo. Eram uns cards que vinham dentro dos pacotes de salgadinhos. A garotada fazia uma roda, cada um com seus montinhos de fichas. Uma ficha de cada participante era colocado em um monte central. Fazíamos uma concha com a mão, batíamos e aumentávamos nossa propriedade com as fichas que virassem. Curiosidade: Uma vez eu quebrei um relógio raro da minha mãe tentando jogar esse jogo.


Lembro também que maioria das crianças tinha videogame. Naquela época não era muito comum. E era aqueles de fita, que pra funcionar você tinha que tirar a fita do aparelho, soprar, limpar com a barra da camiseta, colocar de novo no aparelho e socar. Aí sim o "troço" funcionava. Eu não tive um, então ia na casa da minha vizinha jogar. A regra era assim: O personagem morria, o controle passava de mãos. E como ela tinha mais prática, eu ficava 5% do tempo e ela o resto. Acabava mais olhando do que jogando.


Teve a febre do patinete, que era divertido nos primeiros cinco minutos e depois disso aqueles movimentos repetitivos ficavam um tédio. Teve a febre da amarelinha, que com uma pedrinha e dez quadrados feitos de giz você chagava no paraíso. Teve a febre de pular corda, enquanto quem batia cantava "Um homem bateu em minha porta e eu a-bri, senhoras e senhores, põe a mão no chão..." ou "Com quem? Com quem será? Que a fulana vai se casar? Loiro, moreno, careca, barrigudo, rei ladrão polícia, capitão..." e nós tínhamos que ser espertos para ficar até o final da música. Quem pulava a música inteira era coroado "o rei da cocada preta" em uma coroação silenciosa, onde apenas quem estava jogando sabia.


Minha infância foi tão divertida!! E fico pensando... as crianças de hoje podem ter toda essa diversão em um iPad? Podem ter essa diversão passando o dia inteiro enfurnado dentro de casa? Espero, pelo bem delas, que a resposta para essas perguntas seja sim.


PS. Esse post era pra ter sido terminado pro dia das crianças, mas não consegui... De qualquer forma, aqui está, espero que vocês tenham gostado e tido um momento nostalgia...

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