quarta-feira, 20 de junho de 2012

Já fui melhor...


Sempre fui uma pessoa muito criativa. Culpe o Déficit de Atenção (um dia vou fazer um post informativo explicando sobre a doença). Culpe meus pais, que sempre me incentivaram. Culpe o mundo, por ser interessante. Fato é que desde criança meu cérebro se recusa a ver o dia em cores primárias, que dirá vê-lo em preto e branco. 

Poderia mencionar as minhas artes, como as dezenas de camisetas feitas de sacola plástica e chinelos de papelão. Ou o ventilador esquematizado que só faltava o motor. Poderia contar também da minha mente fértil que produzia planos, teorias e conspirações: eu cheguei a achar que o depósito do colégio era cena de um crime cometido pelo zelador (não era discriminação, pobre zelador!) e que a padaria da esquina maltratava trabalhadores escravos e os fazia trabalhar no calor do forno. A imaginação era tanta que cheguei a descobrir que eu tinha uma chave em casa que abria o portão da casa da minha vizinha e melhor amiga (a chave foi devidamente confiscada pela mãe dela, nããão sei porque! hahaha)

Mas quero focar na linha do tempo literária, aquela em que eu explico como eu fui perdendo aos poucos minha criatividade para escrever minhas histórias. 

Lembro uma das primeira vez que meus pais foram chamados na escola pela coordenadora: ela queria mostrar um texto que eu havia escrito e que, palavras dela, juro!, eu tinha o dom da escrita. Eu tinha uns 7 anos. Alguns anos depois, com 10, eu escrevi a história de um homem de vidro. A história terminava com um final barato, um clichê romântico e grudento, resultado do tipo de literatura (precoce) que eu lia. O que deixava interessante era a vida que eu dei para o personagem: ele morava em uma uma casa acolchoada, seu médico era um vidraceiro e ele tinha que tomar cuidado porque se quebrava com facilidade. Não tenho mais este texto, se perdeu durante os anos (na verdade acho que se perdeu em um disquete). 

Eu era daquelas que escrevia diário. Contava cuidadosamente o que eu fazia na minha pré-adolescência. Como toda criatura dessa idade, eu brigava com todo mundo, escrevia com raiva ("xingava muito no Twitter" haha), mas escrevia. O que eu havia comido no almoço, o livro que estava lendo, os guris que eu gostava… Com o passar do tempo, o diário virou um caderno, que eu não tinha compromisso de escrever todos os dias. Este caderno cobriu anos de minha adolescência. Parei de atualizá-lo já faz quatro anos, mas ainda tenho guardado. 

Aos doze anos, lembro como se fosse hoje, cheguei toda empolgada na casa da minha ex-vizinha e melhor amiga Camila, outra pessoa extremamente criativa. Era minha parceira-de-crime, topava minhas idéias absurdas. Contei para ela da idéia que havia pensado para um novo livro - sempre chamei minhas histórias de livro, pode chamar isso de pretensão - e começamos a escrever neste mesmo dia. Já havíamos começado uma história juntas, mas como 90% das parcerias, acabou não agradando uma das partes: neste caso, eu. Mesmo assim, começamos a escrever, mas não foi muito longe porque nós nos separamos (por outros motivos). 

A história, porém, ficou gravada na minha mente. Escrevi a primeira vez, 30 páginas: meu pai, sem querer, deletou do computador (que era da loja da minha mãe e eu usava meio clandestinamente). Segunda vez, aos 15 anos, 70 páginas: vírus e nenhum backup. Tentei uma terceira vez, sem sucesso algum. Dizem, na fotografia, que "a melhor foto sua é aquela que você não tirou, mas ficou na memória". É o que aconteceu com essa história, virou meu xodó. 

Escrevi começos e meios para várias outras histórias, nenhuma delas terminadas, nem perto de serem tão boas. E esses últimos meses eu me fiz uma pergunta: o que aconteceu comigo? Para onde foi minha criatividade? Notei que uma das rés foi a internet. Era muito mais fácil sentar diante do computador quando a internet era discada (posso apostar um real que você acabou de pensar no barulhinho que o discador fazia, acertei?) e não havia MSN/Orkut/Facebook/Skype/Twitter para me distrair. Era eu, minha cabeça cheia de idéias, paz, um lugar certo e o teclado. 

Ou será que foi a idade que chegou? Não tenho a intenção de soar que nem uma velha de 90 anos, mas pode ser que eu tenha sufocado a criança louca dentro de mim e, com ela, a capacidade de ver o mundo tão colorido. Afinal, não faço mais chinelos de papelão e nem algo que corresponda a isso. E isso tem uma relação tremenda com os meus textos. O gosto pela escrita continua o mesmo, mas é como se eu estivesse congelada. Posso cair na mesmice artística de dizer que estou com bloqueio criativo? 

Bom, a intenção não era de escrever um post tão grande, mas acho que me empolguei. Enrolei e o fato é que vim aqui fazer propaganda do livro que estou lendo e TODO escritor deveria ler (em qualquer estágio da carreira). Se chama Writting Fiction (em português, Escrevendo Ficção) da famosa série For Dummies (Para Leigos), escrito por Randy Ingermanson e Peter Economy. Comprei por comprar porque eu pretensiosamente achava que era uma expert em escrita, pelos anos praticados apesar de nada terminado nem publicado. Dei com a cara em cheio na parede! Estou aprendendo muito e acho que finalmente estou retomando a vontade de escrever. 

Vou precisar voltar a ativa, escrever muito e com mais freqüência. De qualquer maneira, a verdade é esta: Já fui melhor. Muito melhor! 


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