quarta-feira, 24 de outubro de 2012

SOLD

Foram estas as letras, juntas, formando a palavra "vendida" em português, adicionadas à foto da brasileira Catarina Migliorini no site "Vingins Wanted". O leilão da virgindade da jovem de 20 anos foi encerrado hoje, quarta-feira (24), de acordo com a notícia que saiu na Gazeta do Povo (você pode ver a notícia clicando AQUI). O ganhador é um japonês, que pagará cerca de R$1.5 milhões e terá o corpo dela em uma viagem de avião, que parte dos Estados Unidos com destino ao Japão.


Citando o texto da Gazeta, mais especificadamente a parte que diz o que ela fará com o pagamento:

A garota também pretende usar o dinheiro para estudar medicina na Argentina. "Já estava até matriculada, mas decidi adiar e vou em 2013. Tenho 20 anos, sou responsável pelo meu corpo e não estou prejudicando ninguém", disse.


Ok, o corpo pertence a ela, a vida é dela, mas... é dinheiro pago em troca de sexo. Não importa se essa quantia arrecadada será utilizada para algo nobre, como uma faculdade de medicina. Não importa se, em outro gesto nobre, ela compre casas populares ou qualquer coisa neste estilo. O fato continua sendo o mesmo: Catarina se vendeu. Poderia colocar o mesmo verbo para descrever a ação do russo Alexander, outro "produto" oferecido pelo mesmo site australiano. Mas prefiro tratar apenas de minha conterrânea, pelo simples fato que não conheço a cultura russa. Então não é machismo da minha parte, apenas para os leitores entenderem. 

Poderíamos adjetivar o ato da garota como promíscuo? De acordo com o dicionário Priberam, promiscuidade é "o comportamento que viola o que é considerado moral". No Brasil, a sociedade ainda não considera moral vender a virgindade. Ainda.  

E se, influenciados por atitudes como essas, os jovens começarem a achar que vale tudo para ganhar dinheiro? É só fechar as pernas até o dia que precisar. Quer assistir ao show de um cantor internacional? Quer comprar uma roupa de grife? Venda a virgindade. Depois, venda sexo. Em sequência, banalize algo que foi feito para ser um momento especial para duas pessoas. Não esqueça de reclamar que está difícil encontrar a alma gêmea. 

Não sou vidente, não posso ter certeza do futuro. Mas se, neste futuro, valores forem deixados de lado em favor da capitalização, a nostalgia será minha companhia constante. Lembrarei de um tempo onde as pessoas trabalhavam para pagar a faculdade e utilizavam o corpo de forma sensata. 


[Revisão: Heloiza Oliveira] 

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