quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Beijo francês - parte 1


Ela não estava pensando em buscar um relacionamento enquanto olhava para os pontos turísticos mais românticos da França em um enorme folheto. Estava em uma agência de viagens, a grana contadinha de três anos de economias durante a faculdade. Foi difícil dizer não aos convites para as noites de sábado, mas valeu a pena. Faltava apenas uma semana para finalmente pisar em solo francês.

No dia anterior à viagem, ela ligou para o melhor amigo. Disse que ficaria com saudades e que eles deveriam sair aquela noite para uma breve despedida, afinal, ela só iria passar dois meses fora do Brasil. Coisa pouca, apenas uma caipirinha. Marcaram rapidamente, ela tinha que terminar de arrumar as malas. Falando nisso, estava em um enorme dilema: não sabia se levava o guarda-roupa inteiro ou se levava pouca coisa e comprava lá.

Horário marcado, ela chegou ao bar e viu que ele já estava esperando. Como sempre, lendo um livro, compenetrado, os cabelos bagunçados e os óculos quase na ponta do nariz. E, como sempre, ela brinca com essa mania dele de conseguir se concentrar mesmo com a música alta e o barulho de conversa no ambiente. Papo vai, papo vem: deseja visitar a torre Eiffel, não pode esquecer de tirar uma foto em frente ao museu do Louvre, nem perder a chance de aproveitar a vida e conhecer novas pessoas - quem sabe ela não receberia um convite de alguma delas para um final de semana em St. Tropez? Improvável, mas não impossível.

Ao final da noite, ela promete que vai mandar cartões postais. Ela acha de uma poesia muito grande mandar cartões postais, tem algo de old school e classy, algo muito Amélie Poulain. Ela o abraça forte, diz que vai sentir saudades. Talvez fosse o álcool, talvez fosse a urgência do momento, mas ele puxa ela para um beijo.


- Ah, Bruna, agora que eu finalmente tomei coragem de dizer o que eu sinto, você vai embora?